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" Cabocla "
Cabocla, em teus olhos há estranhos desejos,
mistérios de noite,
clarões de luar...
Tua boca, é uma fruta madura, vermelha,
madura de beijos, de beijos maduros que eu quero apanhar!
Tua boca é uma fruta gostosa, será
assim como um bago branquinho,
branquinho,
e doce de ingá!
Teu riso, Cabocla, é tão fresco, tão bom,
que há nele um murmúrio de fontes, e o som
das águas rolando na mata fechada...
Teu riso, Cabocla, parece a alvorada,
parece na sombra o clarão do caminho,
- teu riso parece esse sulco branquinho
que se abre na pele macia e corada
de um doce caju!
E eu penso em teu corpo, molhado, cheiroso,
(Meu deus, se te apanho!)
- teu corpo tão fresco, tão bom
tão gostoso,
saindo do banho
teu corpo ainda nu!
Teu corpo dengoso, roliço, moreno,
de carne tão rija, tão cheia de vida,
é assim como a flor que tem mel e veneno
por entre as ramagens tentando, escondida!
Teus seios, nem sei... os teus seios redondos
rompendo o decote sem medo nenhum,
já trazem dois alvos pros lábios da gente
nas pontas ousadas da cor do urucum!
Cabocla,
minha alma está doida, está louca,
daria a minha alma ao diabo, Cabocla,
nas noites de lua
pra ter-te em meus braços, despir o teu corpo,
- assim como o sol entreabrindo um botão...
Mordendo os teus lábios, sentindo-te nua,
matando os teus beijos brotando na boca
vivendo em teu corpo plantado no chão!
Cabocla! Cabocla! eu me mato, eu me acabo!
Mulher do diabo!
Mulher tentação!
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
Eterno Motivo; - Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )
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