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" S. O. S. "
Oh! Senhores dos Governos
lançai uma tábua ao mar
uma tábua só, ao menos,
se sois os donos das tábuas.
Alguns desaparecem
outros flutuam ainda,
o sangue pesa no fundo
os peixes rondam sinistros,
não há barcos, não há bóias,
não houve tempo, torpedo,
ou mina, ninguém responde,
ainda há gestos, silêncio
se espalha como óleo denso
mancha de óleo, lamparina
na superfície das águas
Meu Deus, quede a terra ? a terra
não acena,- quede a terra ?
Resta só o horizonte
e a mancha de óleo que cresce
mas não mancha o horizonte.
Restarão o peixe, as algas,
as vagas, coisas inúteis
darão à praia, flutuantes.
Desconfiemos do mar
do mar sem ondas, sem ventos,
do céu sem nuvens, gaivotas,
só o horizonte vazio
vazio o céu, o horizonte,
desconfiemos do mar.
Oh! Senhores dos governos
lançai uma tábua ao mar,
enviai um avião
gaivota, amostra de terra,
talvez casca de laranja,
ou o oceano secará
os mortos virão a tona
virão os náufragos todos
ressuscitados, gritando,
crescerá uma onda de ódio
sereis vós os afogados.
Lançai uma tábua ao mar
até que a terra amanheça,
não há mesmo apelação
saída, fuga, recuo,
a terra será de todos
como das ondas do mar,
todos virão, - fugireis, -
não serão peixe nem algas
pisarão a terra fortes
ressuscitarão nos filhos.
O fim, - a morte, - impossível,
estão contados os dias
Vede a terra que amanhece
olhai o clarão, olhai.
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a ed.1947 )
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