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"
Soleira da Porta "


Receberá esta poesia, diretamente. Não interferirei.
Não a censurarei. Virá do subterrâneo para a luz
sem se preparar:

Trás um rumo, uma definição, - estão nela
como o movimento na correnteza,
encerra uma missão.

Sou apenas o instrumento.
Ela flui transparente e leve como a água.
Sou apenas o chão
áspero e sujo.

Não a mancharei apesar de tudo. Sua idéia, sua emoção
serão límpidas,
olhando-as, ninguém reparará no fundo.

Sou o veículo. Ninguém o dirige
ela é que nos levará.
Esta música que ouvimos como um hino
é a sua canção.


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947  )


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