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"
Sangue "



Não há sangue, irmãos. – não o sangue das guerras –
há mistificação.

Onde há sangue, resta a vergonha,
sangue no rosto, no coração
sangue no chão.

Não há sangue. A virgem foi deflorada. A face esbofeteada.
A terra invadida, o Banco assaltado, o operário iludido,
o governo passeia de tanque
triturando o povo.

Não há sangue. Tudo em paz. Viva a paz!
Só a sangue nas guerras, - corre inutilmente, generoso,
ensopando o chão.
Não é vergonha, não é caráter, não é consciência
dizem que é patriotismo.

Mas haverá sangue, para aliviar o coração
ou nos dissolveremos como Hiroshima.


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947  )


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