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"
Requerimento ao Presidente
do Banco do Brasil "


                                                      Do relatório do Ministro : "Durante o ano de 1945
                                                                        saíram do Banco do Brasil pela Carteira de Crédito
                                                                         Agrícola, (?!), 3 bilhões a 500 milhoes de (Cruseiros
                                           para financiamento do gado zebú."





Sr. Presidente.

Qlhai a Inglaterra: é Shakespeare, às vezes Nelson,
mas sempre Shakespeare;
e a Alemanha, - a entregar sempre a alma ao diabo -
- Fausto, sem Margarida, não é Bismark, é Goethe;
e a Itália, - oh! Divina Comedia, é Dante, já se move;
Portugal é Camões, a Pérsia é Omar Kayan;
França, - legenda dos séculos, - Vitor Hugo!

Olhai a América, é Whitman, credo da Democracia,
a Rússia é Maiacowsky, num canto socialista,
e o Brasil, o Brasil ja desafia os tempos:
- e Castro Alves!

Sim, Sr. Presidente,
viverão os povos mesmo sem algodão, sem petróleo, e sem trigo,
de qualquer forma – olhai a China de Confúcio e do arroz,-
vencerão guerras e cataclismas
- não subsistirão sem poesia.

Nasce da terra, do homem. É flor, é fruto, é trigo e carne,
é linho e seda, é rosa e sangue, petróleo e ferro,
é água e luz.

Restarão os povos que produzirem poesia
nas suas terras,
só eles se fixarão, só eles passarão incólumes
pela bomba atômica,
- sobreviverão heróicos.

Requeiro, Sr. Presidente, o financiamento da poesia,
que ela seja ao menos como o algodão
ou como o zebú.

                        P.D.


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947  )


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