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"
Povo Sem Rosa "


Só vejo o povo, o povo só
sem rosa sem pão...

Não peço a palavra porque já é minha
e planto-a na terra como um marco de posse
em nome do povo.

Aqui jazem meu direito, meu suor, meu sangue,
meus antepassados por mil anos,
áfrica, oceania, china, índia, brasil,
aqui jaz minha fome acenando nas promessas da fartura
aqui jaz minha revolta
sem justiça, sem lei, sem apelação.

Daqui brotarão meus filhos, brotarão.

Um dia ficarei em silêncio e enterrarei minha última palavra.
Talvez possa brotar, talvez possa crescer,.
Não será arrancada.

Só vejo o povo, o povo só,
sem rosa , sem pão, sem terra,
o povo em guerra !


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a ed.1947  )


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