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Poema aos Trabalhadores
das Docas de Santos "



Não sois escravos recurvos, submissos, no vai-vem do cais,
(os reflexos dos mastros nas águas oleosas
são paisagens surrealistas,
os guindastes estilizam vosso destino.)

Estendo-vos a mão, trabalhador das docas, num gesto solidário,
há vergonha e revolta na vossa insubmissão
isto nos confraterniza.

Protestastes contra Franco, não levastes aos porões escancarados
como goelas fascistas,
o feijão, o café, a farinha, o algodão,
não entregastes a carne, não oferecestes vosso trabalho.

Sabeis que os republicanos não comerão o feijão nem provarão
o café,
nas prisões infetas o fascismo lhes serve bacilos de Koch.

Vossos irmãos nada receberão na pátria dominada, onde os pelotões
são o único caminho para a paz.

Sabeis que não há alimento que de forças a um  povo sem liberdade
nem há socorro de feijão para a tirania.

Outra carga, a trabalharíeis dias e noites até a exaustão,
outra carga, e os porões transbordariam,
outra carga: metralhas, obuses, arame, fuzis,
sabeis que este é o alimento de que precisa a Espanha
para levantar-se forte a livre
e retomar seu destino.

Estendo-vos a mão, trabalhador das docas de Santos,
agradeço-vos em nome de Garcia Lorca !


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947  )


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