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" O Homem "
Salvando o homem chegaremos ao povo,
este o caminho.
Não aceitemos traições ao homem em nome do povo
do povo traído.
Pregaremos o governo do homem pelo homem e para o homem
não haverá povos felizes enquanto houve homens infelizes.
Aos Senhores dos Governos, lhes dizemos: basta!
desçamos das generalidades para o homem.
Toda vez que desejais mistificar, transferir, enganar,
encheis a boca com o povo, apenas palavra mágica
para todas as traições.
Ao homem o encontrareis na esquina de mão estendida
e na ameaça do gesto que vos poderá fulminar,
por isso não andais só, a solidão no meio do povo vos aterroriza
aterroriza temeis o homem.
Ao homem o podereis ver, nos "centros de saúde"
em verdade, centros da morte,
e no hospital, na mulher pálida na sala de espera, nos filhos
perdidos na rua,
por isso prometeis salvar o povo, o vago povo, o difuso povo,
o imenso povo
sem detalhes.
Temeis o homem, perdereis o sono diante da vitima do
atropelamento pelo vosso auto
mas ledes sem emoção a noticia da morte de crianças
tuberculosas, apenas estatística
para os vossos olhos;
o olhar do mendigo, se o encontrais, vos incomoda,
o clichê das multidões vos é indiferente.
Por isso falais em por, porque não cumprireis vossa palavra
e nada fareis pelo homem.
Temeis o homem na bomba, na faca, no tiro, no remorso
na vingança
para cobrar vossas dívidas e vossas obrigações,
não vedes que quando o homem for povo ele vos encontrará
não transferireis as contas indefinidamente.
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947 )
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