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" Natal "
Está na hora do nascimento.
Nascerá alguma coisa, porque as cinzas não permanecerão
alguma coisa serena e luminosa
brotará do enigma, talvez esperança.
Lançaremos os trilhos da afirmação, e haverá novos veículos,
que importa se as ruínas ameaçarão a passagem?
Está na hora do nascimento. Não haverá estrela no céu,
- no céu haverá sempre estrelas -
e nada virá do céu, além da luz,
mas romperá da terra a palavra de cinco pontas,
o vento a levará pelo mundo
e a semeará nos homens.
As mãos se ouvirão em silêncio, se lavarão mutuamente,
e se estreitarão quando ela nascer.
Nascerá alguma cousa, além da morte contemporânea.
Será a vida inevitável
para justificar sua múltipla presença.
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947 )
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