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" Morte do Operário "


Vinha de longe no caminhão. Trazia a faixa: abaixo o fascismo!
Não sentirá mais fome. O corpo dobrou sobre o estômago,
bateu pesado no chão,
chão vermelho.
Não adiante enxugar. Nunca sairá do chão a nódoa rubra.

No enterro houve silêncio. O "tira" estava na porta do cemitério.
A Democracia sentia, nas costas apontando,
a mesma metralha da praça.
Não havia lágrima. Não houve despedida. Apenas calor no rosto, um frio nas mãos,
uma vontade de morrer também, se fosse preciso.


(Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro Estrela da Terra  - 1947 )


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