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" Libelo em Nuremberg "
Vos que ficastes na epiderme a não chegastes ao sangue
senão para derrama-lo;
que intentastes tornar irreconhecível a cruz
e lhe entortastes as pontas inutilmente;
que entrastes, na madrugada, pela janela dos povos
enquanto as vossas promessas eram pombos nos céus;
que arrancastes a juventude a idade e o sonho
e em troca lhe entregastes a força por ideal;
que destes ao tempo mil pendulos fantásticos
arrancados as horas de heroísmo dos povos
e os deixastes a oscilar nos braços curvos das forças;
que enchestes o ar com o odor acre do espírito
ardendo como as resinas dos troncos verdes nas chamas;
que dançastes na praga quando os livros eram fogo
e já não eram luz, - na sombra gelada ao redor;
que colhestes inocentes a os entregastes ao fim
com revoltas impotentes em paga da justa revolta;
que criastes sobre a morte a liturgia desumana
de mil formas imprevistas, - para o imenso extermínio;
que fizestes da traição a conduta suprema
e nada perdoastes diante do ódio a da posse;
só tivestes uma vida - miseráveis! - e devíeis
morrer milhões de vezes pelos vossos crimes!
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947 )
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