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"
Imortalidade "


Não adianta encostar meu verso na parede
para fuzilá-lo.

Eu dobrarei os joelhos. Haverá uma líquida flor vermelha.

Sim, minha camisa se tingirá.
Minha face será pálida.

Mas meu verso ficará de pé.

A policia fugirá, os prepotentes fugirão, fugirão os burgueses,
que eles ainda acreditam em milagres
e terão medo.

Mas meu verso ficara de pé.

Não será milagre. Meu verso não está mais em mim
não sou eu
está no povo
e o povo se multiplicará mesmo caindo
e ficará sempre de pé, mesmo que os fuzis detonem
e os joelhos se dobrem...


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947  )


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