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" Guerrilheiro "
Senhores dominadores
participo-vos que tendes pela frente ou pelas costas
segundo os vossos métodos,
meu verso guerrilheiro.
Ele estará anônimo na cidade inconquistada, no gabinete,
pisara no tapete macio,
debaixo do trilho, no panfleto, no jornal, mimeografado,
estará sempre armado e pronto para a luta,
muito embora não possais entrever suas armas...
Meu verso guerrilheiro vos pegara nos calcanhares
e vos seguira num alarido, (que quererá o povo na praga? )
Ele vencera o silencio, o abandono, a mistificação,
estará atento à porta como vigia.
Meu verso guerrilheiro mora no mundo e é irmão dos homens,
tem sangue e música, sangue sem cor nem passado,
música de vergonha a de revolta,
e lutará sempre, mesmo depois que eu o abandone,
continuara infatigável até amanhã.
Em vão atirareis nele, em vão o queimareis,
em vão o proibireis,
ele saltara dos linotipos anônimos que a policia não encontrará
e terá luzes misteriosas de força subterrânea,
apunhalará de repente vossa ganância
estirará cadáver aos vossos olhos vossa impiedade.
Em vão o levareis preso. E1e não será atingido. Ressuscitara.
Passara incólume pelas grades como a esperança.
Lá fora na rua o povo do mundo o carregara como estandarte,
os ventos o lerão e o propagarão adiante.
Que importa se não podereis ver nem avaliar?
Que importa se só o ouvireis na hora da explosão?
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947 )
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