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"
Glória "


Glória ! Meu verso amanhecerá escrito nos muros
a pixe,
renovará mensagens de esperaça e insubmissão
quando a luz os revelar.

O operário que passa o levará na memória para repetí-lo
e o camponês o encontrará escrito na terra
e lançará sementes sobre as suas letras.

Os trabalhadores passarão a pé e pensarão; é anúncio.
O companheiro mais feliz explicará: é mensagem.

Estará nas faixas, na frente da multidão, levado no alto
para que todos o leiam,
irá à frente como bandeira
para que o povo chegue mesmo caindo.

Meu verso estará no discurso, na pregação, no coração, na música,
como a frase importante, como o exemplo, como o amor, como a nota,
só que não servirá para as festa joaninas,
não é fogo de artifício.

Glória!
Meu verso amanhecerá  no asfalto, nos muros, nos bondes, nos trens,
e penetrará, e possuirá, e se entranhará
amanhecerá na conciência, na memória, no coração,
enquanto não amanhecer para o povo
e sombras suspeitas estiverem nas praças policiadas.

Óleo, meu verso alimentará a chama, será calor,
será fogo.

Glória !



(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a ed.1947  )


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