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E  Agora, Vamos "


Irmão quando a luz se apagar e a sombra espessa escorrer em teus olhos
e se entranhar em teu pensamento,
quando ao redor não vires nada, como se estivesses perdido no imenso mar
nem encontrares pé em ti mesmo para novo esforço, para nova ascensão,
procura-me a te darei um verso.

Te darei um verso, como quem parte um pedaço de pão,
como quem serve um pouco d'água,
como quem abre uma janela para o pulmão.

Que fazer, se teremos que recomeçar, se tudo depende de nós?
Que fazer se nossos filhos nos perguntarão pelo bastão
e nos estenderão as mãos como os corredores de revezamento?

Vamos irmão. Bem sei que hoje a cegueira esta em teus olhos,
teu coração parou, e teu pensamento
caiu e se enterrou, como um dardo no chão. Já não oscila.

Mas toma um gole de ar, ouve esta nota de força,
olha os que continuam apesar de tudo
e compreende que levas o tempo a revezarás com o futuro.

Que meu verso seja a massagem violenta, em teu desalento justificável
minha palavra uma alavanca para o teu mundo
minha musica, um ritmo para o novo passo.

Sim, tudo recomeçará, terá que recomeçar. Para trás haverá apenas o espectro
dos que se desconheceram a renegaram, dos que aderiram e se confundiram,
os fracos, os covardes.

Ou dos que caíram. Descubramo-nos irmão.
E agora, vamos. Não é ninguém, É o mundo. Somos nós mesmos .


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947  )


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