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Declaração de "Guerra"
no Balcão do Guanabara
Quando o fascismo veio até as nossas costas,
afundou nossos navios e fez centenas de vítimas,
o povo irrompeu nas ruas em protestos de luta.
Assustado,
ele declarou ao seu povo
o estado de guerra, manietou-o novamente
e tocou-o como rez indefesa para o
matadouro.
Era a rua, como sangue latejando,
era a praça, como coração taquicárdico.
Cheque-mate ao rei no Guanabara,
as grades fechadas, metralhas no chão,
recepção ao povo.
Na noite vermelha, o eco dos coros, prolongando a vigília,
mas praias distantes os restos dos corpos, o golpe na sombra,
o povo, enfim povo, por isso o discurso:
"Bem sei que quereis lutar pela liberdade e que sou seu algoz,
desejaríeis derrubar o Dip, a filial da Gestapo,
o infame tributo político,
gostaríeis de eleger vosso governo para terdes a vossa guerra
e ela começaria certamente nestes jardins do Guanabara.
Por isso, lutarei com vossos corpos na Itália e vos darei a guerra,
não será o meu sangue, que importa? nem largarei o poder.
Irão homens armados para onde mandei café e carne congelada
nem vacilarei apontar o gatilho da arma contra o peito do amigo
mandarei espada de aço para onde mandei espada de ouro,
que pena! não usarei por uns tempos as belas condecorações "fuhrer".
Ao inimigo anunciarei: " estado de beligerância",
e a vós, "o estado de guerra", e estaremos em guerra,
Invocarei no entanto a pátria, deslocarei o alvo, e vos convocarei,
e vos darei armas, tocarei o hino Nacional,
partireis amarrados mas partireis,
- a polícia estará presente para aplaudir, presente em toda parte.
Me chamarei democrata, sem desmentidos na rua,
"A hora do Brasil" repetirá: democrata!
E as manchetes impostoras: democrata!
vosso heroísmo lacrará com sangue meu estado falso! democrata!
não protestareis na volta, seria tarde seria em vão,
não largarei o poder.
Ao voltardes me encontrareis, estarei na festa e nos aplausos,
posarei com os heróis para os fotógrafos, autorizarei às viúvas
pensões extras,
enterrados estarão os corpos dos que me enfrentaram
e ameaçaram revelar ao povo o meu segredo,
- morreram na guerra. -
Esquecestes o poder. Meu é o lance que vos dará o cheque-mate
pobres piões da rua na tola febre democrática."
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Eu estava com o povo, na noite vermelha, do lado de fora,
vi por dentro da boca o discurso falando,
não foi aos jornais, ficou no sorriso, no turvo pensamento,
não sei se muitos o ouviram
eu o ouvi.
Mão sobre a Bíblia, olhos na bandeira, eu juro.
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição - 1947 )
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