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"
Cabeça "


Companheiros
aqui está a minha cabeça.

Além dos telegramas, dos jornais, dos partidos,
não sei se valerá mais que uma laranja
talvez seja inútil até mesmo para o inimigo.

Mas é a única coisa que vos ofereço.
Se houver alguma luz utilizai-a
talvez sirva apenas para marcar o caminho
como uma pedra.

Ao menos podereis dizer se vos julgardes perdido:
- é por aqui.

Não julgueis que a valorizo, seu único valor é não ter preço
ninguém a comprará, ela nada valerá,
e por isso ficará no chão, enterrada no chão, como uma pedra.

Companheiros
aqui está a minha cabeça.
Dela nasce e escorre este filete insignificante:
talvez seja poesia.
    


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição1947 )


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