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" A Voz Ausente "
Srs. Capitalistas, não compliquemos as coisas.
Há apenas a terra, a terra que está em nosso nome
e passará aos vossos filhos
como as coroas dos reis e os títulos dos nobres.
Continuareis no "grill-room", no wisky, nas pernas das bailarinas,
no vermelho e negro,
contareis na roda dos amigos que tendes grandes fazendas
oh! as intermináveis férias, montarias, cachoeiras, quinze dias, fastio.
A terra imensa e verde, entretanto inútil, continuará inútil
como o ventre de vossas.mulheres que não fazem filhos
porque é indecente,
em compensação tem felpudos lulús, e cactos, e oheiras,
decorando vossos apartamentos...
Srs. capitalistas, não compliquemos as coisas .
- Há apenas a terra, a terra imensa e verde, agreste e rude
e os colonos que só a possuirão como o corpo quando se dissolverem nela
e em verdade foram possuídos.
Há apenas a terra, que não é vossa, e não é de ninguém
mas devera abrigar a vide indistintamente
e a alimentar
como um dia a absorverá indistintamente enquanto a chuva cair...
Não continuareis a dizer no "grill-room" que tendes fazendas
- para que?
em compensação haverá fazendas, a colonos felizes,
e farturas.
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Estrela da Terra" 1a edição1947 )
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