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"Apóstolo"

Não faço pose de gênio, não estou no fundo.
gênio é o povo,
ele escolherá.
Estou de fora, na praça, na fábrica, no campo, na rua.
Não há donzelas românticas, não há bem-amadas surrealistas.
Há agitação, há fome, há greve.

Não sou ninguém. Sou o apóstolo da terra a convocar irmãos.
Minha palavra será apenas comunicação,
mesa, rumo, alavanca, punhal,
talvez um pouco de vinho,
talvez um pouco de música.

Servirá. talvez chegue ao supérfluo.
Ao descanso. Pastoral.
Em todo caso será a chama. Sempre começo.
Nunca recuo, nunca irremediável. Salvação.


(Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro Estrela da Terra  - 1947 )

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