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"
Solo "

    

E me ponho a falar pelos vazios corredores
de mim mesmo...

Olho com olhos de vigia
ansiosamente
como se esperasse alguma coisa,
e o coração sabe que já não há nada para além do horizonte.

Meus pensamentos
não se têm mais nada que dizer:
marinheiros a bordo de um navio no porto;
companheiros de reclusão ao fim de anos de companhia;
exilados num quarto de hotel
num dia de chuva...

Estou internado em mim mesmo
sem esperanças, sem remédio...
E me ponho a escrever nas paredes da cela
do meu tédio...

Mal insidioso e sem cura
Ninguém o vê:

...eu vou ficando louco de Você...


( Poema de J.G. de Araujo Jorge
do livro "ESPERA..."- 1960 )


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