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" Reverso de Arvers "
Ao contrário da Musa de Arvers, não irás
perguntar: "Que mulher será essa?" pois bem sabes
que estes versos são teus, foram feitos de ti,
com este amor - sonho ardido ainda a queimar-me por dentro.
Ao contrário da Musa de Arvers, tu, só tu
poderás ler além destas palavras e letras
o que por timidez e pudor, ficou preso
aos lábios brancos e mudos de suas entrelinhas...
Ao contrário da Musa de Arvers - tu dirás
surpresa: "Como não hei de entender estes versos,
se ele os fez em meus braços e os disse ao meu ouvido
antes mesmo que fossem, sem saber, poesia?"
Ao contrário da Musa de Arvers - comovida
neles reencontrarás o alucinado amor
tão perdulariamente gasto, que foi preciso
roubar a outros velhos amores, que nos queriam...
Ao contrário da Musa de Arvers, tu, ao lê-los
sentirás seu profundo e persistente calor,
e terás a impressão de que eu ainda os sussurro
por entre os teus cabelos, a estreitar-te ao meu peito.
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Mas, talvez, como a Musa de Arvers - quando estranhos
te cercarem, ao ouvi-los, tu perguntarás,
mal contendo em teu seio o coração insofrido:
"Que mulher será essa?..." E não responderás...
( Poema de J.G. de Araujo Jorge
do livro "ESPERA..."- 1960 )
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