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" Reencontro Com A Bonança "
Ao fim de tudo, esta sensação de quem chega a algum lugar
depois de penosos descaminhos,
e desfaz-se de todo o supérfluo, e se sente leve
como se estivesse sem corpo.
Esta solidão é boa, como uma aragem fresca numa fronte febril,
e estende sobre mim suas ramagens
como pejada árvore de sombras
em que todo me abrigo.
Bom é afinal estar deitado, e deitado sozinho,
com as nuvens distantes, no olhar
ou as estrelas tremulas e entorpecentes.
E chego a me perguntar se não valerá mais
esta bonança em que todo me reconstruo,
em que volto a tantas belezas desprezadas:
- às outras mulheres, às noites dormidas,
às simples manhãs de sol, sem madrugadas?
Se não valerá mais esta inefável paz interior,
a alma assim como um pátio de mosteiro,
com rumores castos de água em sussurros de confessionário
- que aquelas angústias de temporal desarvorando noites e dias
e aquele louco amor me consumindo inteiro
- amor incendiário?!
Ainda bem que o destino faz as vezes por nós
pausas imprevistas
como que nos obrigando
a conter o coração,
para não nos deixar morrer de amor, como cigarras
atordoadas de canto
explodindo em canção...
( Poema de J.G. de Araujo Jorge
do livro "ESPERA..."- 1960 )
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