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Pergunta Vã "

    
Que fizeste daqueles instantes de ternura
em que por tanto tempo nos perdemos?

Em algum lugar de ti terão ficado, indeléveis,
porque não fomos nós que os inventamos
foram eles que nos criaram...

Em algum lugar de ti, continuarão a viver
e hás de encontrá-los, muita vez, sozinha,
num inexplicável momento sentimental,

feitos de vida e sonho, de substância perecível,
em parte,
mas também de substância imortal...
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Pergunta Vã nº 2

E ainda agora me pergunto, sem atinar a razão:

-quem eras tu, que me chegaste,
encheste a minha vida de mel e espinhos,
e te foste, sem explicação?
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Pergunta Vã nº 3


Não consigo explicar minha vida sem ti.

Como justificar tanto tempo, tantos dias,
tantas horas,
e ainda por cima, um coração?

Esse morrer de todos os instantes, é tudo o que deixaste
para que continue a viver.


( Poema de J.G. de Araujo Jorge
do livro "ESPERA..."- 1960 )


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