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" O Grande Momento "
Como uma réstia de sol instantânea,
tu entras
pela porta entreaberta,
nem bem te adivinho.
...Esse o momento maior de euforia e tranqüilidade,
quando a porta se fecha sobre o teu vulto
e meus braços se abrem para receber-te.
Esse o momento maior de euforia e tranqüilidade:
há calor em meu peito e o verão em teus olhos;
-como que tocadas de vento, foram-se todas as dúvidas
da tensa espera, angustiosa.
De repente, desanuviam-se todas as ânsias,
todas as inquietações;
ouço-te a respiração ofegante, sinto-te as mãos frias,
tenho-te de encontro ao peito ainda sem nada dizer.
Sei agora que és minha, que foste minha, que serás minha,
principalmente que és minha, pois não mais te espero:
te tenho!
- Imprevistos não deterão teus passos,
nada desviará nosso encontro se estás
em meus braços...
Canto e rio, e nem percebes... Canto e rio
e te amo,
beijo-te em silêncio, e penso que nada mais te desviará
de meus desejos:
a chuva, o vento, a morte, que sei eu?
Esse o momento maior de euforia e tranqüilidade...
Um no outro, vivemos a impressão de que nós
apenas conhecemos
essa felicidade,
que nunca ninguém a sentiu...
Depois, os olhos fechamos, e silenciamos...
O resto do mundo parou (que mundo?) parou...
sumiu...
( Poema de J.G. de Araujo Jorge
do livro "ESPERA..."- 1960 )
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