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" Fatalidade "
I
Eu poderia ter nascido um barco, uma caixa de música,
um papagaio de papel,
ter mastros, cordas, linha.
Fui nascer um homem
emaranhado numa rede de nervos,
labirinto, sem Ariadne.
II
Quem há de me livrar deste estranho destino:
ter sempre que recomeçar, esperando esse amor
que subsista e me salve?
Quem há de me libertar dessa fatalidade
de tornar infelizes aquelas justamente
a quem desejo com ternura maior, mais amor?
( Poema de J.G. de Araujo Jorge
do livro "ESPERA..."- 1960 )
( NR: Ariadne deu a Teseu, o FIO que lhe
permitiria
sair do labirinto onde vivia o Minotauro)
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