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"
Receio... "


I
Às vezes receio ( e talvez falte pouco)
que esse ímpeto que vem do coração
com uma força estranha,
extravase em ternura quente
como as lavas de um vulcão pela vertente
de uma montanha...

Receio que transborde
esse ímpeto louco, que domo
nas profundezas do Ser
e é fogo, em meu olhar...

E eu ponho tudo a perder...
Tudo... Eu que há tanto tempo me contenho
não sei como,
a esperar...

I I

Nesse silêncio me aprisiono
e me acovardo,
nesse silêncio me guardo...

Por mim, por ti, por nós dois,
é melhor que não venha a palavra,
que eu fique mudo...

Se te dissesse a primeira palavra
talvez depois
fosse capaz de tudo...


(Poema de JG de Araujo Jorge do livro
" Quatro Damas " 1a edição 1964 )


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