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" Notações Tristes à Margem do Amor "
1
Sim, não somos os mesmos, reconheço
e até
confesso com amargor...
Repara no que tu és
e no que sou agora...
Vamos parar, portanto . . . Antes guardar de pé
as lembranças do amor
que apagá-las, de rastos, sobre o chão de outrora . .
2
O desencanto é perceber que deste ponto em diante
tudo já foi vivido, experimentado,
e não há mais o que ver...
Compreender, imprevistamente, que tudo é passado...
E... mesmo sem presente, e sem futuro:
continuar a viver...
3
Acabaríamos nos envergonhando de nós mesmos,
(nós que nos amamos, nós que fomos amantes)
se este amor que viveu de sensações extremas
e gerou cantos e poemas
acabasse afinal,
burguesmente, como uma festa domingueira,
ou ficasse a rolar sem lances de beleza
uma rotina monótona
e banal...
4
Seria tão fácil se te pudesse falar
sem ressentimento ou rancor:
- se nao mais nos amamos
vamos parar onde estamos,
não vamos azedar
um doce amor...
5
Acho que posso ver além dessa alegria
que desabrocha em meus lábios, desafiando
a minha dor...
Também na madrugada em festa, ao vir do dia,
há lágrimas de orvalho límpidas chorando
no riso de uma flor...
(Poema de JG de Araujo Jorge do livro
" Quatro Damas " 1a edição 1964 )
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