

O Poeta Fala. ( J.G. de Araujo Jorge) - Artigo publicado na seção "VIDA LITERÁRIA", de Otto Scheneider. ("VIDA DOMÉSTICA", agosto de 1956.) "O fato de ser compreendido com a minha poesia lírica e social, é para mim a minha maior glória. Isto de dizerem que a poesia que se vende é de qualidade inferior é mágoa. Olavo Bilac, Raul de Leoni, Augusto dos Anjos, Castro Alves se vendem. Bandeira também se vende." "Trabalho em publicidade e conheço o poder da publicidade. Posso garantir que não tenho "agencia" para vender meus livros. Eles se vendem por si mesmos." "Sou um homem sem profissão, "de 7 instrumentos", por força das circunstâncias. Tanto esscrevo anúncios, crio "Isto faz um bem !" para vender xaropes e enriquecer os outros, como dou aulas de História, ou componho um poema. Fora da Poesia, a política seria o meu rumo. Tenho cá na cachola algumas idéias que gostaria de realizar a favor da coletividade. Certos problemas brasileiros, econômicos e administrativos, há anos me apaixonam e, infelizmente, não tenho tribuna e meios para debatê-los e concretizá-los." "Estou cada vez mais convencido de que a liberdade tem sido uma palavra há milênios desfraldada sobre a miséria da maioria, e há três séculos manejada pela burguesia em seu proveito. Por isso acho que ser livre é não ter fome, não ter medo da vida, não viver ao desamparo, ter direito à terra, à educação, à saúde, ao trabalho, a viver com o mínimo necessário para que não seja apenas um animal explorado pelo dinheiro." "E o resto é silêncio..."
|