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" Quando Escreves Dentro da Noite... " (M.H.)
Eia! Irmão! Deixa o trilho doloroso!
Foge da treva imensamente vã
E olha-me, que num surto vitorioso,
Meu corpo é noite que acordou manhã.
Tendo o sangue mais quente do que as brasas
A aquecer Infinitos e caminhos,
Meu canto penetrou toda as asas
E a minha voz é Sol atravessando os ninhos.
Eia! Irmao! Vive em risos, em tropel!
Levanta as mãos cativas
Porque as minhas palavras são do mel
de uma nascente de águas vivas.
Abre os teus olhos ensonados
E escuta a minha voz de sombra nos desertos
- Voz que ontem era cruz nos girassóis fechados
E hoje é esplendor nos girassóis abertos.
Deixa que a noite seca e nua
Se funda em alegria,
Que este poema é Lua
Que se fez dia.
Enxuga o pranto;
Canta num tom de tal maneira ousado,
Que despertes na escala do teu canto
Os que dormem felizes lado-a-lado.
Olha que a Vida pode ser risonha
Se colheres os cravos que são teus
E sonha, Sonha, Sonha, SONHA!,
Digas ou não adeus.
Irmão: rasga o teu peito bem ao centro
E mostra ao coração a manhã tutelar,
Que eu não quero deixar-te pela noite a dentro
Como um corpo sem vida., a flutuar...
(Resposta de Maria Helena ao poema "
Escrevo dentro da Noite"
de J G de Araujo Jorge extraído do livro
" Concerto à Quatro Mãos " 1a edição 1961 )
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