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" Desnível "
(M.H.)
Mais alto que o meu, o teu sonho de poeta;
maior que a tua dor, foi a minha agonia,
Que eu
também desenhei dentro da alma inquieta
"O templo de cristal da minha fantasia".
Um caminho busquei, translúcido e sem meta
Que me levasse até onde se gera o dia
Com um fervor humano e na fé de um asceta
À procura do Deus que a fé lhe prometia.
Quis desenhar o Sol e desse intento vão
Nasceu a grande noite, o bárbaro medonho
Que fez da minha vida a cruz de um pesadelo.
És mais feliz do que eu, ó Poeta meu Irmão:
Os mais viram em luz todo o teu lindo sonho
E o meu sonho de luz... nem eu consegui vê-lo!
(Resposta de Maria Helena ao poema de J. G.
" Soneto A Ariel" in Concerto a 4 Mãos - 1961)
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