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" Sobre a Tristeza "
(M.H.)
Irmão que vives para além do mar
Afastado de mim por tantos nós;
Que tens na alma a alma do luar
E nas veias o sangue dos cipós;
Irmão que segues de olhos deslumbrados
E não vês rosas sem poder colhê-las
E trazes nos cabelos desmanchados
A carícia noturna das Estrelas;
Tu, que tens os sentidos bem despertos
E uma chama a pulsar no coração
E enches todo o silêncio dos desertos
Com o grito escaldante do sertão;
Tu, que te levas por caminhos sábios
E que não andas pelo mundo à toa
E mataste a secura de teus lábios
Beijando os lábios frescos da garoa;
Tu, que não te naufragas em cansaços
Nem receias surpresas na viagem
E tens no ritmo aéreo de teus passos
A musical cadência da folhagem;
Tu, que sonhas à margem dos escombros
E dos loucos vazios de ideal
E que apenas suportas nos teus ombros
o peso da loucura tropical,
Irmão: se mesmo quando a dor te assiste
Abres na boca o riso de uma aurora,
Já que eu só sei chorar quando estou triste,
Vem-me ensinar a rir quando se chora.
(Resposta de Maria Helena ao poema de J. G.
" Sobre a Alegria " in Concerto a 4 Mãos - 1961)
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