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Depois Da Leitura Dos Teus Versos "(MH)

                                             
Para J. G. de Araujo Jorge
                                    - o Poeta que admiro
                                               - o amigo que não conheço.
                                                                   Maria Helena

I

Deu-te a Vida o fulgor da própria Vida:
Aos teus pés deu caminhos ignorados
E ofereceu-te aos olhos namorados
A apoteose da manhã nascida.

Fez-te mais plana a íngreme subida
Pondo na estrada girassóis dobrados,
E aos teus lábios de Sol iluminados
Deu o mel da ternura repartida.
A mim, não me pôs dia em cada mão:
Ao meu Céu incolor não deu luar...
Nem de mim se lembrou... Nada me deu!
Quem me dera mostrar-te o coração!
Talvez assim pudesses calcular
Até que ponto a vida me esqueceu.

II

Se ainda tens olhos para ver o mar
E lhe entendes a voz de maré-cheia;
Se vestes a tua alma de luar
E o sangue te palpita em cada veia;

Se o teu corpo mortal encontrou par
E vês erguida a chama da candeia,
E te descansa a sombra de um palmar
E ergues um sonho, mesmo sobre areia,
Prende nas tuas mãos o bem da Vida!
Nega a dúvida atroz que te consome
E te deixa sem fé o coração,
Que a Vida só não deve ser vivida
Quando se é pão para nenhuma fome
E se tem fome quando não há pão.


( Resposta de Maria Helena ao poema de
J. G. "Variações Sobre Um Tema Banal"
in - Concerto a 4  Mãos - 1a ed.1961
)

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