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" Soneto "
Bom o tempo que ficou, - amei-te na alegria
de uma tarde azulada e linda de Setembro,
- disso tudo hoje triste eu muita vez me lembro
enquanto uma saudade o peito crucia...
Amei-te, como nunca outro alguém te amaria,
eras o meu sonhar de Janeiro à Dezembro...
Depois... Tu me deixas-te, e ainda hoje se relembro,
Amargo a mesma dor cruel daquele dia...
Agora sem viver, - sou um corpo sem alma,-
conformo-me com tudo, e vou chegando ao fim
- como a tarde que cai bem suavemente em calma.
Já não sinto... não sofro... já nem vivo até.
- Se a vida ainda era vida ao ter-te junto à mim
hoje, longe de ti, - nem vida ao menos é!
( Soneto de J. G .
de Araujo Jorge - publicado apenas na
1a e 2a edições do livro "Meu Céu Interior" -
1934/1948 )
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