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" Regato "
A correr sem parar, contente, vais seguindo
na estrada do teu leito onde a fugir te esgueiras...
aqui, calmo e sereno; ali, nas corredeiras
veloz, o azul dos céus nas águas refletindo...
E a sorrir e a cantar, e cantando e sorrindo
avanças para o mar quer queiras quer não queiras,
- carregando em teu seio um quadro sempre lindo
renovado ao passar das águas marulheiras...
Vestido de cristal, nas noites, pelos campos,
das estrelas do céu, festivo tu te enfeitas
para a festa entre a luz dos loucos pirilampos...
E as águas que tu tens... Estas águas inquietas...
Rolando... a soluçar e a rir... parecem feitas,
- de pérolas do céu... de lágrimas de poetas !...
( Poema de J. G .
de Araujo Jorge
do livro "Meu Céu Interior" - 1934)
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