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 "
Presságio do Nada "


Eu sinto que esta vida um dia há de matar
a poesia que em mim tenho a vibrar - e o poeta
vai fugir do meu ser, e a minha alma repleta
de música de sons se vai esvaziar...

O céu... o espaço... a terra... a natureza...
o ritmo e a beleza, o meu sonho de esteta,
a poesia que é parte e o meu todo completa
o espírito, aleijado, há de ao partir, deixar...

No mundo material de uma época intranqüila,
na aridez deste tempo - esta vida estafante
a essência de mim mesmo aos poucos aniquila...

E o poeta há de morrer... E a matéria, por certo,
- no mundo há de ficar como um túmulo errante,
na vida, como um cardo informe do deserto!...


 
( Poema  de  J. G . de  Araujo  Jorge 
do livro "Meu Céu Interior" - 1934) 


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