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" Ninhos... "
No balanço dos galhos, à carícia abstrata
do vento, sobre a terra, ouvindo o murmurar
das ramagens no espaço, ele constrói seu lar,
de palhas... de algodão... - na verdura da mata...
E aqui e ali, fazendo o seu trabalho, em cata
de gravetos no chão, não se deixa cansar,
- e só quando já a tarde avança, ele a cantar,
adormece escutando a própria serenata...
E os dias vão passando... E no alto, finalmente,
o ninho a balouçar, feliz, serve de altar,
- ao concerto nupcial das folhas ternamente...
Também como ele eu faço o meu ninho em segredo,
- até que um dia, pronto, hei de vê-lo a acenar
no balanço de um galho à sombra do arvoredo!...
( Poema de J. G .
de Araujo Jorge
do livro "Meu Céu Interior" - 1934)
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