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" Versos
Às Montanhas "
Na face de granito nu e denegrido
crestado pelo sol
batendo em cheio, fosforescendo no ar,
-os cardos lembram uma multidão
de serpentes espavorias
erguendo as cabeças verdes para respirar...
Há abismos cavados nas montanhas
como bocas escancaradas, deglutindo
e mastigando pedras e cascalhos
que a saliva das águas vão polindo...
E há cadáveres de gritos rebelados,
gritos mastodontes,
nas arestas agressivas e mudas
ferindo os horizontes...
Simbolizam a dor da própria terra
no parto da criação,
retiveram os rictos das convulsões, fixaram
as idades que os séculos guardaram
arquivadas no chão...
Ossatura ciclópica, antediluviana, da terra
a entufar seu próprio colo...
- esqueleto do mundo a romper a epiderme
do solo!
( Poema de J.G . de Araujo
Jorge
in " Meu Céu Interior " - 1934 )
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