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 "
Jesus "


Foi outrora... passou... Já vai distante... além...
- a história de Jesus, o humilde de Belém
que entre vacas e bois numa velha cocheira
nasceu... Ao seu redor, do pobre leito, à beira
José viu-o sorrir, e os olhos de Maria
azuis como o infinito, uma intensa alegria
deixavam transvazar...

Lá fora, de repente
no céu imenso e vasto, uma estrela luzente
cintilou sobre a terra, e os raios espargindo
numa faixa de luz, foi caindo... caindo...
anunciando o nascer de Cristo, o rei dos reis!...
Pelos campos em marcha, os pastores e fieis
puseram-se a segui-la... Estradas e montanhas

tiveram que transpor, e às terras mais estranhas
carregavam seus bens... Iam ver esse Deus
que haveria de crer nos sofrimentos seus
e a paz trazer ao mundo... Aos pobres e oprimidos,
iria defender; - aos homens corrompidos,
faria castigar;- aos maus perdoaria
tornando-os seres bons, e aos bons ajudaria
na grande redenção de um mundo superior...
E andando sem parar, procurando o Senhor
a voz na multidão clamava: - "Tu, quem és?
Que vieste coo nós sangrar teus santos pés
nos espinhos da vida?..." E avançando... e avançando
às portas de Belém chegaram. Bem defronte
da suja manjedoura, estava, no horizonte
a estrela a rebrilhar!... A turba se ajoelhou...
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De estrelas todo o céu, lá no alto se enfeitou!...
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O primeiro rei Mago, o olhar calmo e sereno
pousou no feio berço, onde Jesus, pequeno,
sorria sem saber... Curvou-se. O seu presente
colocou a seus pés... Veio outro - e toda a gente
foi passando a deixar as cousas que trouxera
numa oferta que humilde embora era sincera...
E depois, ao sair... Jesus... José... Maria...
cada um foi repetindo, e enquanto repetia
propagava na terra, inculta, má, pagã,
os primeiros sinais da religião cristã!
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Jesus cresceu, Pregou o amor, a caridade,
- "amai-vos um ao outro..." orava, e de cidade
em cidade, de povo em povo, de nação
em nação, foi pregando a justiça e a união
entre os homens do mundo... Um louco... um desgraçado...
- ninguém o compreendeu, à cruz morreu pregado
por ter querido o bem, por ter sonhado o amor...
Nos caminhos que andou, espalhou sempre a luz,
por isso é que morreu, braços presos à cruz
que Ele próprio arrastou ao cimo do Calvário...
- Viveu... Deixou no mundo as contas de um rosário,
contas brancas da fé num rosário de dor...
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Foi outrora... passou... Já vai distante... além...
Jesus da Palestina, o humilde de Belém
era assim como nós, na vida: - um sonhador!...


 
( Poema  de  J. G . de  Araujo  Jorge 
do livro "Meu Céu Interior" - 1934) 


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