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" Incompreendido "
Um dia eu lhe contei a história que guardava
no fundo de meu peito há muito tempo em sonho,
desvendei-lhe o segredo, e ao seu olhar risonho
notei que ela, de mim, e deste amor, zombava...
Calei-me então, calei-me... A dor de incompreendido
sepultei no silencio; e hoje, a chorar, sem voz
transvaso na poesia esse amargor, e a sós
soluço ao ver meu sonho em verso traduzido...
Mostrei-lhe um dia o poema onde lhe confessava
o amor, e ela fingiu não compreender, pensando
ser mentira talvez, o que então lhe contava...
No entanto - mal sabia o meu sofrer profundo -
falei-lhe só verdade, e ao vê-la duvidando
não pude mais pensar em ser feliz no mundo.
( Poema de J. G . de
Araujo Jorge
do livro "Meu Céu Interior" - 1934)
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