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"Exaustão"

Falta essência... A minha alma trêmula vacila
como  um astro a faiscar, distante, na amplidão...
Vai no ocaso o meu sol... como rubra pupila
a se afundar na noite em plena escuridão

Às descargas de luz de cada sensação
e os sísmicos abalos, minha pobre argila
na carne exausta e exangue aos poucos se aniquila
como um monte de palha que entra em combustão!

Vou rolando em meu Ser de nevrose em nevrose
e como um sol que morre estourando luz
minha morte há de ser uma grande apoteose...

Despencarei nas trevas assim como um meteoro
deixando o turbilhão dos versos que compus
como estrelas de um céu esplêndido e sonoro!



(Poema de J. G. de Araujo Jorge, extraído do livro
"Meu Céu Interior", 1ª edição, setembro,1934.)

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