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 "Esfinge "



Tens  no branco da face a palidez marmórea
das estátuas sem vida e dos corpos sem sangue,
e no aire do teu porte, suavemente langue,
há uma grande tristeza estranha e merencória...

Faz noite na tua alma - e nessa noite existe
uma luz que se esvaia... um sombrio luar,
-clareando vagamente o teu mortiço olhar...
- velando a tua vida imensamente triste...

Se perdeste um amor... se sofreste talvez,
não procures lembrar o que ficou distante
- o que o mundo roubou, e o destino desfez....

Que mistério reténs?... Vem ser feliz comigo....
Far-te-ei amar de novo, e hás de ver triunfante
meu amor apagando o teu amor antigo...

Esquece a tua dor...  Revive no porvir...
- és a estátua de carne, e eu darei  minha vida
para vê-la vibrar... para vê-la sentir...

Eu te quero como ninguém mais quis...
- ajuda-me e verás tua dor esquecida
neste amor que só pensa em te fazer feliz!...


 
( Poema de J.G . de  Araujo Jorge,  do
livro "Meu Céu Interior" - 1934) 


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