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"Domínio"

Hoje, tu já não coras se te abraço,
hoje, tu já não foges ao meu beijo...
Sabes que és minha... e o que desejo e faço
é o que faz e deseja o teu desejo...

Ficas mais bela no desembaraço
da suave intimidade em que te vejo...
Nada negas – e dando-me o que almejo
tudo me dás – quando o teu corpo enlaço!

quando o teu corpo junto ao meu se aninha...
Vives pelo prazer de seres minha,
e és dócil e flexível como uma haste,

No abandono total em que te enleias,
quem diria, que um dia, já negaste
com a mesma boca com que agora anseias!

(Poema de J. G. de Araujo Jorge, extraído do livro
"Meu Céu Interior", 1ª edição, setembro,1934.)

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