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"Desgraça  Alheia"

Ao ver tanta desgraça à minha frente,
dos lados, me cercar, tanta desgraça,
- sinto pungir-me o peito, intimamente
e o meu olhar de lágrimas se embaça ...

E então, fico a pensar na dor que ingente
maior que a minha os corações devassa,
- e choro consolado - infelizmente
sem que de todo a minha dor desfaça.. .

É duro, mas se sofro e acaso, um dia,
 sinto a desgraça alheia de mim perto
consolo a minha dor nesta desgraça...


É assim, que nós olhamos a agonia
dos outros, pois na vida é quase certo
que a nossa dor com a dor dos outros passa !. . .



(Poema de J. G. de Araujo Jorge, extraído do livro
"Meu Céu Interior", 1ª edição, setembro,1934.)

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