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" No
Último Convés... "
Eu sofro e enfermidade estranha do Sol-por,
meus olhos estão doendo de meditação
e a minha alma, distante, as distâncias percorre...
Esvaia-se a alma das cousas nesta tarde exangue
e o sol, longe, no céu, como uma flor de sangue
despetalando nuvens lentamente morre!
Aos meus olhos, o mar... o mar... o imenso mar
onde os primeiros astros trêmulos debruçam
os pistilos dourados de corola azul,
arrebentando espumas sob o inquieto açoite
de vento... e se entranhando à escuridão da noite
quando acendem no céu o Cruzeiro do Sul!
Mar que trago na cor dos meus olhos, ciganos,
que tem alma de poeta, coração de louco
e improvisa nas praias poemas e rumores...
Mar que ninguém compreende e que ninguém traduz
íris verde da terra, onde há sombra e onde há luz
como há sombra e há lúz no olhar dos sonhadores!
Mar que um verde lençol, de inquietações repleto,
de horizonte a horizonte estende, sempre inquieto,
como se multidões lutassem no seu Ser...
Mar que vai conversar com a noite, lá distante,
a noite - o seu amor, a noite- a sua amante
que se enfeita de estrelas para o receber!
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Eu sofro e enfermidade estranha do Sol-por...
- Saudade - e invejo o oceano, e invejo o seu amor
pela noite, nessa hora em que fico a cismar...
Venho de longe, doente de saudades e sonho
e enquanto a ouvir o mar este verso componho,
minha alma é um búzio imenso onde canta outro mar!
( Poema de J.G . de Araujo
Jorge
in " Meu Céu Interior " - 1934 )
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