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 "
  Cirandar!..."


Na morna quietação da penumbra da rua,
sob a luz dos lampiões, em algazarra, um bando
de crianças, num vaivém, mãos dadas, vai cantando
as modinhas que o tempo antigo perpetua...

Lá na altura do céu... na noite clara e nua
as estrelas também, de roda, estão brincando...
Como as crianças da rua, alguma, vez em quando
avança pelo azul, e uma outra então recua...

Quanta cousa recordo!... Assim, sozinho - ao vê-las,
não sei se é o céu que está, todo cheio de crianças
ou se a rua, se encheu, ali, toda de estrelas...

Não sei... Tudo é nublado e triste em meu olhar...
- Fazem roda em minha alma as últimas lembranças
de um tempo em que eu também sabia cirandar!...


 
( Poema de J.G . de  Araujo Jorge
      in  " Meu Céu Interior " - 1934 ) 


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