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"Aurora Sertaneja"
Há silêncio na sombra, e o choro das ramadas
é a música da noite em plena solidão...
A lua se desmancha em luz na escuridão,
prateando a areia branca e fina das estradas...
As matas, raramente, aqui e ali, rasgadas
pelos raios do luar - deixam ver pelo chão,
- ora um curso de riacho em suave lentidão,
ora as cinzas e os paus no claro das queimadas
Na frescura do espaço há místicos perfumes,
e na noite sensual, como estrelas errantes,
cintilam, sem parar, milhões de vaga-lumes...
E em meio à natureza encantada e pagã,
no estojo azul do céu, bordado de brilhantes,
multicor vai se abrindo o leque da manhã! ...
(Poema de J. G. de Araujo Jorge, extraído do
livro
"Meu Céu Interior", 1ª edição, setembro,1934.)
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