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" Versos à Um Ignorante "

                                  (1938)


Tu que chegas levando aos ombros os andores
no místico rebanho de uma procissão,
que a creditas nas lendas e nos impostores,
na Virgem Santa mãe e na Ressurreição;

ou crês no que te diz pai-santo, esse ancião
de baixo espiritismo e práticas vulgares,
- tu, que não sabes mesmo, as letras, quantas são,
nem pensas no que existe além dos céus, dos mares!...

Tu que vives à tona e não olhas o fundo
indiferente à estranha multidão de seres
às tragédias da vida... e aos horrores do mundo...

Tu que estás encerrado numa eterna infância,
- não sei se te aconselho a ler, parar sofreres,
ou se bendiga e inveje essa tua ignorância!...



( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " - 1a edição1945 )

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