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" Serenidade "

                                  (1940)


Cheguei em fim a essa serenidade
de quem sorri condescendente,
do homem que não pragueja, na vaidade
de impor aquilo que hoje pensa ou sente...

Desprezo a inútil religiosidade
e o fanatismo histérico de um crente...
Nem vestirei jamais a liberdade
nos dogmas de uma força onipotente!

Não afirmo mentiras nem me exalto,
toda verdade por mais forte é incerta
e não convenço por falar mais alto...

Libertei-me! E afinal concluí, na vida,
que a verdadeira voz que se liberta
não afirma nem nega... mas duvida!



( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " - 1a edição1945 )

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