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Poema Para As Mãos Humildes "
                          (A Roberio Julio de Oliveira - 1944)
   


Mãos humildes de todos os homens, que procurais calor nos bolsos
quando chega o frio,
e vos aqueceis ao trato rude das ferramentas
a vida inteira...

Mãos que construís nas sombras o casario das cidades
e plantais a fantástica floresta de cimento armado
dos arranha-céus
onde se agasalham tantos homens...

Que laçais os rios com as pontes e desenrolais o rolo das estradas
que aproximam povos e gentes,
que ergueis as chaminés e lançais os navios,
- elas que hão de contar aos céus a vossa história,
- eles, que hão de levar-vos nos porões pesados...

Mãos humildes que distendeis os trilhos e dominais a terra
sem soldados, sem bombas e sem guerra,
que perfurais a montanha ou violentais o chão
em nome do progresso...

Que fazeis da terra árida e inóspita um vale de Canaã
e estendeis o lençol verde e ondulante das searas
sobre os montes nus, as imensas planuras,
mãos que sempre lutais a cada nova manhã
para que o mundo avance e vivam mais felizes
as criaturas...

Mãos humildes, mãos milagrosas, a cujo contato, a terra toda
reverdece
e frutifica:
- e as flores tingem o chão e enfeitam todas as árvores,
e cada uma das árvores parece mais bela,
parece mais rica!

Mãos humildes que vos encheis de duras asperosidades,
que levantais a represa e dominais a água,
antes, desenfreada e louca,
que plantais a semente e que amassais o pão,
mas que nem sempre o levais à boca...

Mãos que não conheceis carinhos e que desconheceis
o contato das mãos macias,
e que apesar de cheias... de trabalho,
viveis vazias...

Mãos humildes, cerrai-vos, e percebereis então que nada tendes,
que os vossos desejos são vãos,
e que o que produzistes fugiu por entre os vossos dedos
para outras mãos...
Viveis sempre na sombra (como o homem humilde que acende o farol    
e vigia o farol),
- mãos vigias
que tocais, ao trabalho, estranhas sinfonias,
e aqueceis mais que o sol!

Mãos que viveis ocultas, mãos fortes e necessárias
perceberei como o alicerce profundo,
ninguém sabe da vossa luta sobre-humana,
- e no entanto sois vós que alimentais a vida!
- e no entanto sois vós que sustentais o mundo!


( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )


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