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Oração da Água Pura "
                                 ( A Hewlett Johnson , Deão de Canterbury - 1944 )
   


Em verdade as águas claras cresceram rolaram,
e correram por muitas terras, e túrgidas engrossaram,
e com maldade e a cupidez dos homens
se desviaram...

Eu buscarei no entanto sozinho a sua fonte
e avançarei para o além, muito além do horizonte...

Que importa, se poderá ser inútil minha procura,
eu sei que a água ao nascer, era clara, era pura...

Só os ávidos e imprudentes,
os ignorantes e os inconscientes,
bebem sofregamente as águas turvas que correm...
Bebem, e em contorções caem ao chão,
e morrem...

Hei de encontrar, Senhor, a água pura da fonte que ficou perdida
onde mora a vossa imagem refletida,
no recesso da floresta inviolada
ou no cimo da montanha inacessível
E para mitigar minha sede, na fonte pura do amor,
sangrarei os meus pés tal como vós, Senhor,
e farei o impossível. . .

Os homens que deturparam a vossa linguagem
descem na correnteza
levando a vossa imagem,
- e repetindo as vossas palavras, e profanando a vossa grandeza,
vos afogarão no mar...
Eu, no entanto, Senhor ... . eu subirei sozinho,
meu rumo é contrário ao rio, e é outro o meu caminho,
eu sei onde vos achar

Devassando a floresta ou escalando a montanha
olhando os que vos traíram, deixando os que lá se vão,
tomarei nas minhas mãos a água pura da fonte,
mitigarei minha sede, aljofrarei minha fronte,
e batizarei o coração...

E com os olhos perdidos no mar que fica longe
eu, - o mísero ateu,
eu, - o mísero pagão
serei eu, Senhor! o vosso último monge!
E diante da vossa fé intacta, que nunca se perdeu:
- o primeiro cristão!


( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )


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